Em discurso na tribuna, durante a sessão desta quarta-feira (6/07), na Assembléia Legislativa, o deputado Paulo Duarte (PT), defendeu uma abordagem diferente no combate ao uso de drogas. Para ele, é necessário implementar mais ações de orientação e prevenção ao uso das substâncias entorpecentes, começando pelas bebidas alcoólicas.
Para o parlamentar as propagandas, na televisão, em horário nobre, que mostram as pessoas felizes, fazendo uso de bebidas alcoólicas e sendo bem sucedidas, remetem às peças publicitárias exibidas na década de 80, quando o consumo de cigarros era considerado um “charme e sinônimo de conquistas e sucesso”. “Houve uma reversão, é proibido, hoje, propagandas de cigarro em horário nobre ou durante programas esportivos”, explica o deputado. Essa situação não ocorre com as propagandas de cerveja, por exemplo.
Outro problema levantado durante o discurso de Duarte foi a forma precoce e glamurosa como as crianças e adolescentes estão sendo apresentados às drogas, sejam lícitas ou ilícitas. O problema se agrava com a exposição dos mais jovens, que ainda estão em processo de formação de personalidade, às propagandas que mostram apenas o lado bonito do consumo de bebidas alcoólicas. “O álcool e o cigarro são considerados a porta de entrada para outras drogas como a maconha, a cocaína e o oxi. Não vemos, nas três esferas do governo, campanhas agressivas como as que foram feitas contra o cigarro. O que uma criança, um adolescente, pensa quando vê propagandas como essas? Vai achar que se beber, vai se dar bem também, como a televisão mostra”, argumenta o deputado.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o tráfico e o consumo de drogas movimentam uma média de 500 bilhões de dólares por ano no mundo todo. “Como o Brasil, que tem mais de 16 mil quilômetros de fronteira, vai conseguir combater as drogas apenas usando a repressão?”, questiona o Duarte, lembrando ainda que o país faz fronteira com a Colômbia, Peru e Bolívia, que juntos são responsáveis por 94% da produção de drogas no mundo.
Fonte: Site do deputado Paulo Duarte
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